O jardim-pavilhão emerge como um limiar entre a vigília e o sonho, onde dois percursos-túnel de madeira traçam o gesto primordial do encontro. À medida que se desdobram, estes caminhos abraçam um vazio luminoso: um espelho de água que duplica a realidade e a transforma em território onírico.
Aqui, a arquitetura dissolve-se na reflexão. Os túneis não apenas guiam, mas enquadram e protegem o espanto. A água não se limita a refletir, mas convida à descoberta de outra dimensão do espaço, onde o construído dialoga com o seu próprio fantasma invertido.
É nesta dualidade, entre o sólido e o especular, entre a caminhada contida e a abertura revelada, que habita a magia da descoberta: aquele instante suspenso em que o ordinário se torna extraordinário e o jardim se transforma no palco do possível.