
A cor, beleza e clima dos montados de sobro de Portugal, únicos porém ameaçados, são captados e reflectidos neste jardim meditativo. A ancestralidade dos sobreiros é expressa pelas pilhas esculturais de pranchas de cortiça que formam a entrada e pela singela escultura em cor-de-laranja escuro, gravada com um poema evocativo pleno de significado – Árvores, de António Ramos Rosa. A plantação de sobreiros jovens estrutura o espaço. A área é encerrada por um pano de fundo de gramíneas que se balançam ao vento por detrás de uma tapeçaria vibrante de plantas em vermelho escuro e verde lima. As águas escuras do lago central sugerem a fonte genesíaca e a sua conclusão mais profunda e tranquila – o lago induz reflexão e reflexos.
Ecos da paisagem do montado aparecem não só nas gramíneas secas mas também nas grandes pedras e no granito recuperado dos bancos e do lago. O uso lúdico de pegadas de lince não pretende apenas divertir, visando igualmente simbolizar a perda, potencialmente lancinante, desta espécie em risco.
Os gregos antigos reverenciavam de tal modo os sobreiros como símbolos da liberdade e da honra que, segundo Plínio o Velho, só os sacerdotes os podiam abater. Hoje em dia, o sobreiro é de novo protegido por lei. Multiplicam-se as potenciais utilizações da cortiça, pelo que desejamos que a paisagem de excepção dos montados sobreviva e prospere para as gerações vindouras.
Esperamos que a nossa interpretação desta paisagem, bela e singular, possa contribuir de alguma maneira para esse fim salvaguardando um património ímpar, sobremaneira descrito por Jorge Paiva: “Os montados de Portugal são a floresta amazónica da Europa”.